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Saber ouvir a voz de Deus

23 de agosto de 2017

Vocação é um chamado, alguém chama e alguém precisa responder. Esse chamado se dá na individualidade de cada ser humano, na particularidade da historicidade de cada um. A maneira como Deus chama não é empírica ou de forma extraordinária, mas a sua voz ecoa de forma simples, no ordinário. Nós inseridos no tempo e na história é na qual Deus se manifesta, faz um apelo que não conseguimos explicar, mas podemos vivenciar. Como pode uma criança explicar tal ação divina? Quando criança sentia um desejo de ser padre, até minhas brincadeiras eram de celebrar missa. Fui crescendo, e na adolescência, bem como na juventude, fiz a experiência do namoro e com isso, por um tempo, deixei a ideia de ser padre de lado, pois estava encantado com as moças. Mas, como disse, a ação de Deus é sutil e Ele mesmo se encarrega de levar nosso barco, e eis que meu barco se direciona novamente para uma voz, voz essa que me quer em uma localização específica, diferente, talvez louca para muitos.
            São Paulo nas suas cartas aos coríntios diz que alguns nascem para casar, outros não, e outros escolhem não casar para se dedicarem as coisas de Deus. Eu, porém, escolho cuidar das coisas que são próprias de Deus, sim escolho, pois, a minha escolha é feita e renovada todos os dias. Eu poderia está escolhendo todos os dias outras coisas, como por exemplo: seguir a carreira pública ou dá continuidade aos meus estudos de direito, mas abri mão dessas coisas que já estavam encaminhadas na minha vida, abri mão porque eu sentia um apelo diferente, uma inquietação que me movia, uma voz que me chamava a navegar em outro mar, e hoje posso dizer: “não dá mais para voltar o barco está em alto mar. ”
            Decidir consagrar a sua vida ao serviço de Deus requer coragem, sobretudo numa época em que os ventos podem levar o nosso barco para outros rumos, uma época em que o sagrado é profanado ou o sagrado tem se tornado apenas uma busca imediata para resolver problemas, uma busca descompromissada. Decidi consagrar minha vida não porque não há outro jeito de viver ou porque, talvez, não encontrei minha cara metade, decidi dedicar minha vida ao sagrado porque acredito que Deus fez ecoar sua voz ao meu rumo, me chamou para ser feliz na totalidade e assim antecipar aquilo que viverei na vida eterna. Nós dessa nova geração de consagrados, teremos grandes desafios. Precisamos nos preparar bem para dialogarmos com uma sociedade liquida e imediatista.
            Portanto, responder a voz que chama é cantar como o salmo 112 nos convida: “A glória do Senhor vai além dos altos céus. “ Viver a castidade, pobreza e obediência antecipa o que todos nós viveremos na vida eterna. Lá não existirá um sistema no qual uns vivem na riqueza e outros na pobreza. Ninguém será pai nem mãe e nem esposo e nem esposa, mas todos viveremos de forma justa como irmãos. Essa é a promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo.
              


 Bruno Cruz. Aspirante Barnabita.
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