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A “Carta Magna” da Missão

2 de outubro de 2017

            Na Carta Apostólica “Maximum Illud”, o então Papa Bento XV, em 1919, exortava à Igreja que a missão não deveria ficar só nos tempos apostólicos, mas que deve ser realidade na vida dos cristãos.
            Nos cinco primeiros pontos de seu escrito, Bento XV resume um pouco da história das missões pelo mundo. A partir do sexto parágrafo ele começa a explanar suas prédicas a todos os fiéis. Nessa carta podemos ler que o múnus apostólico da Igreja é santo e que tem por objetivo disseminar a Boa-Nova do Senhor e as bênçãos de Deus ao mundo. Na sequência, fazia-se um apelo aos bispos do mundo inteiro. Segundo Bento XV, “na qualidade de bispos ou de vigários ou prefeitos apostólicos, estão colocados à testa das missões: a eles mui primeiro é que cabe a plena responsabilidade dos progressos da fé, é sobre eles principalmente que a Igreja funda a esperança de alargar suas fronteiras”. Também dizia aos superiores nas Missões: “Lembrem-se eles, pois, antes de tudo, de que devem, cada um por sua parte, ser [...] a alma da missão. Devem, pois, por suas palavras, obras e exemplos ser motivo de edificação para seus padres e seus outros auxiliares, e estimular-lhes o ânimo na persecução de um ideal sempre mais elevado”.
            Na “Maximum Illud” destacava também o apoio que deveria ser dado à formação do clero autóctone, ou seja, local, ressaltando a formação ao clero indígena. Bento XV sublinha que quando um membro de um povo passa a transmitir o Evangelho de maneira compreensível para os seus iguais, esse grupo tem a possibilidade de se agasalhar mais com os ensinamentos de Jesus. Ele observa que um padre estrangeiro pode não encontrar corações abertos da mesma forma que um padre local. É fomentada também a importância de instituições e organizações que ajudem espiritual e financeiramente os seminários e casas de formação religiosa. Vale aqui ressaltar que ainda hoje, muitas das instituições de ensino que acolhem aqueles que não têm condições de acesso gratuito aos estudos básicos pertencem à Igreja e sobrevivem com as doações e arrecadações.
            Algo muito importante que Bento XV expressa em sua carta apostólica é referente à catolicidade da Igreja, que ele expressa da seguinte maneira: “A Igreja de Deus é católica; em parte alguma, em nenhum povo ou nação, ela se coloca como estrangeira”. Entendamos o valor dessa afirmação fundamentada nas Sagradas Escrituras e nos escritos da tradição e do magistério da Igreja. Reafirma o ministério cristão autêntico através dos tempos e perante o mundo. Se somos católicos é para que Cristo seja amado e reverenciado cada vez mais pela humanidade.
            A carta apostólica “Maximum Illud”, mesmo tendo sido escrita na primeira metade do século XX, ainda é basilar em suas orientações para os católicos sobre a importância da Missão na vida da Igreja e a necessidade de fomentá-la no cotidiano e em todo lugar.


Autor: Edvando Barros estudante barnabita (Província Norte, Pará)
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